
Caminhou lentamente até ficar escondido atrás de uma pequena árvore de seu quintal. Em sua mão direita uma faca afiada, na esquerda um estilete. Bambi era o nome de seu cachorro, este por sua vez estava deitado na sombra da mesma pequena árvore, porém do lado oposto. Em um grande pulo, Saul meteu a faca na costela do cachorro, que sem chance de correr apenas caiu e soltou um longo gemido, com o estilete arrancou-lhe as orelhas e fez vários cortes pelo corpo do pobre animal.
Dois anos depois.
Saul, um menino, por muitos considerado deficiente mental, portanto não o era, apenas se “divertia” vendo os outros sofrerem. Talvez tivesse algum distúrbio, mas não chegava ao grau de deficiência. Era filho único, e vivia apenas com a mãe, seu pai havia morrido à três anos de parada cardíaca.
A mãe de Saul era Wilma uma mulher de uns cinquenta anos. Não aparentava tal idade, no máximo trinta e cinco. Apesar de ser muito carinhosa vivia brigando com Saul, por este sempre matar pequenos animais (incluindo Bambi). Wilma escondia todas as facas da casa, e teve que esconder também os garfos ao descobrir que Saul matou um pássaro, sabe lá deus como, à garfadas! Wilma chegou a levar Saul a um psicólogo, a conclusão do psicólogo foi que Sual assistia a muitos desenhos e filmes violentos. Wilma cortou todos os desenhos e filmes de Saul, incentivando-o a estudar mais. Saul parou de matar, mas passou a desenhar cenas de assassinatos e suícidios. Pelo menos ele não mata mais, pensava sua mãe. Mal sabia ela que essa esquisitice de seu filho a salvaria um dia.
Como o marido de Wilma havia falecido à três anos ela achou que estava na hora de novas “aventuras”. Passou a frequentar bares e boates com seus amigos, esquecendo assim um pouco de Saul, porém levava todos os dias presentes para ele, para não demonstrar tal afasto. Saul com apenas oito anos apenas pegava os presentes e não percebia o desafeto de Wilma.
Em uma dessas visitas a bares, Wilma conheceu Bob, um homem de quarenta e seis anos, viúvo como ela. As visitas à casa de Wilma eram constantes, os presentes de Saul passaram a ser em dobro.
- Mamãe, a senhora gosta do Bob? - perguntava Saul de vez em quando.
- É claro... que não filho! - respondia Wilma. - Ele é apenas um amigo. - completava.
Não passou muito tempo, Wilma começou um namoro com Bob, até que um dia passaram a morar juntos. No começo é tudo um mar de rosas, mas os gostos de Wilma eram totalmente diferentes dos de Bob. Depois de quase seis meses de união, Bob passou a chegar em casa bêbado batia sempre em Wilma. Saul apenas assistia a tudo chorando, até certo dia.
Certa vez, Bob chegou em casa mais bêbado do que nunca havia ficado. Chegou batendo as portas derrubou algumas cadeiras na sala de jantar, sempre gritando.
- Cadê você mulher? Vem brincar comigo, vem?
Enquanto caminhava derrubando tudo encontrou Saul em sua frente, não hesitou em derruba-lo com apenas um tapa no rosto.
- Onde está sua mãe, seu peste? - gritou enquanto olhava ao redor.
Saul levantou e correu para a sala de estar e logo subiu a escada que levava para um corredor onde ficava seu quarto. Enquanto isso, Bob gritava por Wilma que apareceu na sala de estar. Bob correu para lá e em um só movimento puxou-a pelo cabelo e a derrubou no chão.
- O jantar está pronto queridinha?
Ainda segurando o cabelo de Wilma, Bob soltou um tapa com as costas da mão deixando uma marca vermelha no rosto de Wilma, esta apavorada apenas chorava, não gritava porque sabia que seria pior, Bob seria capaz de mata-la.
Saul estava em seu quarto, encolhido e sentado no chão chorava baixinho. Saul levantou a cabeça e viu em sua escrivaninha seus livros cadernos e estojo de estudo. Levantou-se lentamente, pegou uma folha branca e seu estojo. Abriu a porta de seu quarto e seguiu o corredor em direção à escada. No topo da escada pode ver sua mãe sendo surrada por um bêbado egoísta e ignorante. Saul olhou para a escada e desceu lentamente, Bob não o percebeu, pois além de estar bêbado, este estava preucupado em socar Wilma. Bob estava sentado em cima de Wilma e socava seu rosto. Saul caminhou lentamente até ficar escondido atrás de uma poltrona. Em sua mão direita uma caneta, na esquerda um lápis apontado. Bob era o nome de seu padrasto, este por sua vez estava sentado sobre Wilma socando-a no chão da sala de estar, porém do lado oposto. Em um grande pulo, Saul meteu a caneta na costela do padastro, que sem chance de reagir apenas caiu e soltou um longo gemido, com o lápis furou-lhe os olhos e perfurou o pescoço do padrasto bêbado.
Na folha de papel Saul desenhou o padrasto morto, no desenho a poça de sangue foi feito com o sangue do falecido.
Esse foi o primeiro homicídio de um serial killer.
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(? o.O)